Quem vai ficar até o fima da festa

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about

O álbum chega num momento em que existe uma vontade da banda de, por um lado buscar novas sonoridades, para além do tom festivo, e por outro de responder ao contexto externo em que estamos vivendo. Muita coisa mudou durante esses 14 anos de existência, até mesmo os significados de algumas letras compostas aos 20 anos de idade. Desta forma, entendemos que é um momento de amadurecimento e transição da banda, que se vê refletido nas escolhas das músicas que compõem o disco.

O álbum foi todo pensado com duas camadas - uma que caminha de acordo com a temática das letras, e outra que guia o clima do disco como um todo, indo do início de uma festa (no prólogo “Fiat Lux”) até o dia seguinte, com os efeitos dos erros da noite anterior e o clima de ressaca (na pesada e introspectiva “Gravidade”). Tudo isso criando uma ponte entre a história da banda e os dias atuais.

“Essa macronarrativa faz referência ao contexto político e social que vem se deflagrando nos últimos tempos e, em um nível mais íntimo, com a própria história da banda, cheia de altos e baixos. E o disco traz momentos intensos e outros mais introspectivos, e mesmo de dúvida, que também dialogam com o título”, conta Ciça Bracale.

O álbum traz faixas nunca lançadas do passado, singles recentes e canções inéditas até para o público fiel. Cheio de pequenas referências que vão de samples de entrevistas e citações literárias, “Quem Vai Ficar Até o Fim da Festa” foi gravado no StudioDb por Gustavo Simão, produzido e mixado por Bruno Pinho, masterizado no Studio Dissenso, com apoio do selo independente Howlin Records e da Cérebro Surdo Produções.

Faixa-a-faixa, por Ciça Bracale:

O disco se inicia com a track FIAT LUX (“faça-se a luz") e termina com a track GRAVIDADE, no sentido de peso e/ou algo grave. No prólogo do disco, incluímos “A Pequena Fábula”, de Franz Kafka, como uma bússola para definir desde que recorte vamos falar, ou desde que sentimento.

Pra nós, o que interessa daqui são duas coisas: primeiro, que é uma fábula, que normalmente abre peças teatrais, então é um convite a pensar que o disco tem uma história que vai se desenrolar, e por outro, é uma fábula meio de duplo sentido, onde parece que no fim não há esperança pra nós.

Na sequência, aparece ARMADA PRA CAUSAR, pra desenrolar a narrativa mais superficial do disco, que contaria uma pessoa indo para uma festa. A música foi composta em outro momento, especificamente durante os ataques do PCC que rolaram em 2005 em SP, com a cidade em estado de alerta. As ruas se esvaziaram, e apenas os trabalhadores e habitantes da rua, guerreiros urbanos, continuaram lá. Mas atualmente, ganha novos matizes com essa questão do armamento, pauta recorrente dessa galera que assumiu o poder. Então, podemos entender que de uma forma irônica, acreditamos no “armamento”, só se for pra causar. Mais uma vez, nossa postura e resposta à guerra que nos rodeia é o combate através da ação, e a resistência através da celebração da liberdade.

Logo, vem a THE RIDE, nossa única faixa em inglês, ela foi composta assim e tem referência direta a uns sons mais Massive Attack que estávamos ouvindo na época, então não quis mudar o idioma original. Inserimos a vinheta de Matrix para dar sequência à narrativa e essa música marca uma virada de tom no disco. Se vínhamos mais festivos com Fiat Lux e Armada, agora embarcamos nessa viagem para sonoridades mais intensas e obscuras das faixas que seguem, paralelamente, na nossa historinha, seria o momento em que o personagem toma a tal pílula e entra numa bad trip. Ou, na narrativa mais ampla, seria o que aconteceu depois das eleições das fake news. Por isso, a escolha do trecho que diz: “estou oferecendo apenas a verdade”.

O meridiano do disco é marcado por INSECTA, o single que antecipamos para funcionar como um chamariz pro disco. BIRRA vem na sequência, como aquele momento da bad trip, em que você fica com mania de perseguição, ou com uns TOC bizarros, tipo lavar a mão insistentemente. O refrão “eu vou lavar meu coração na pia” relaciona-se ao esvaziamento do sentimento. Quase uma constatação de que nada adiantou sermos tão sensíveis, e que agora só nos serve sermos mais duros para seguir, ou pra acabar de vez com essa vã alegria.

SURPLUS originalmente chamava Eu Quero Tudo, mas mudamos o nome, pois acreditamos que dentro dessa macronarrativa do disco, agregava valor simbólico ao que se está dizendo. O nome veio de um documentário que me marcou muito. Ele fala sobre esse excesso do sistema capitalista de produção, e pessoalmente eu acredito que acabamos refletindo esse comportamento do surplus nos nossos relacionamentos, de nunca estar satisfeito, de nunca ser suficiente, de sempre querer tudo - que é o que fala a música o tempo todo.

GLITCH é uma música que fala sobre frustração, sobre essa quebra de expectativa em relação ao outro. Sobre um espaço-tempo do abandono. Glitch pode se traduzir como falha. Na nossa macronarrativa fico sempre pensando em que momento perdemos a mão como humanidade. Em que momento ocorreu essa falha de comunicação para que todo esse contexto político se configurasse?

Na micronarrativa do disco, poderíamos imaginar na nossa historinha que é o momento depois dos últimos tragos, em que a personagem se apaixona por aquela pessoa estranha, e se sente segura com aqueles olhos, no meio do cenário caótico ao redor: “Você era minha casa no mundo”.

Depois dessa noitada, nossa personagem amanhece com a RESSACA MORAL. De novo, na nossa macronarrativa do contexto político, estaríamos presenciando algumas ressacas morais por aí, depois do fim da festa, depois de comemorar a derrota, mais do que a vitória. Enfim, na micronarrativa, é o dayafter da personagem, sem mais.

O disco acaba com a faixa GRAVIDADE. Musicalmente talvez seja a faixa que una mais todos essas fases da sonoridade da banda. Simbolicamente, vem como uma resposta à fábula inicial e ao contexto real em que se insere essa produção. Nossa postura acho que fica clara, ainda que de maneira implícita. E terminamos o disco com esse alento, de que ainda dá tempo. E uma ventania cuja referência é o filme Mágico de Oz. Quem assistiu o filme, sabe o que rola depois da ventania.

credits

released August 15, 2019

Ficha Técnica:
Produção e Mixagem: Bruno Pinho
Gravação: Gustavo Simão
Masterização: Studio Dissenso
Apoio: Howlin Records e da Cérebro Surdo Produções.
Letras: Ciça Bracale
Composição e arranjos:
Ciça Bracale - voz
Ale Vergueiro - bateria e beats
Rodolfo Martins - guitarra
Flavien Arker - baixo,
Renato Maia - teclados e bases.

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GOMALAKKA São Paulo, Brazil

Ciça Bracale
Vox, Lyrics

Alexandre Vergueiro Drums, Percussions

Renato Lista Keyboards, Synths

Flavien Arker
Bass

Rodolfo Martins
Guitars
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Track Name: 01 - Fiat Lux
1. FIAT LUX

Que tal seria?
Se a gente pudesse olhar
Pro horizonte
Sem tanta venda pra tapar
Que mal faria
Se a gente resolver gozar
Até o fim
Sem tua moral pra amargar?

A cidade cresce e isso enlouquece
Feito uma pedra no rim
Que de imóvel assim, tão imóvel assim
A cidade dói em mim

E o que você quer, e o que você faz,
É o que você quer fazer?
Ser o que eles querem, ver o que eles vêm,
Isso nunca te convém

Nem me segura,
Que eu sou da rua

Sai da minha frente que eu vou dançar,
Libera mais ar pro fogo alastrar
O chão treme quente
Vai tudo queimar

Eu me esparramo sobre o território
Vou seguindo sem remorso
Sei que você tenta, mas eu sigo atenta
E até acho bom
Quando caem as paredes
Quando ardem as certezas
Te convido pra dançar
Sobre a brasa ainda quente
O chão abre e ferve rente
A cidade nunca mente
O que se vê não é o que se sente
A cidade quer gritar:

Sai da minha frente, que eu vou dançar
Sai da minha frente!
Track Name: 02 - Armada pra Causar
2. ARMADA PRA CAUSAR

Já deu minha hora, eu vou me montar
Hoje eu vou sair na chuva pra me molhar
Hoje eu vou sair na rua pra você me notar
Tô armada pra causar, é

Já deu minha hora, eu vou me montar
Hoje eu vou sair na chuva pra me molhar
Hoje eu vou sair na rua pra você me notar
Tô armada pra causar, é

A vida é uma guerra, então melhor se virar
A rua não dá trégua, então eu vou me jogar
Cuidado , moço, você é alvo fácil
Cuidado, moço, você é alvo fácil

E se de repente, e se de repente
A gente se tocar,
Já era

A vida é uma guerra, então melhor se virar
A rua não dá trégua, então eu vou me jogar
Cuidado , moço, você é alvo fácil
Cuidado, moço, você é alvo fácil

Guerreira no asfalto
Ferragem e concreto,
A lua de teto, verdade nua
Guerreira do asfalto
Ferragem e concreto
A lua de teto, verdade crua

Armada pra causar
De Miami a Mongaguá
To Armada pra causar,
Molotov e patuá
Armada pra causar,
Tô armada pra causar
Armada pra causar
Muita manha e oxalá
Track Name: 03 - The Ride
3. THE RIDE

Let me go for a ride
I don´t need no name
I'm just looking for someone
For someone to play my game
Tonight
Tonight

Lay your body next to mine
Feel the stars under your head
Let's pretend that we don´t care
‘Till we get the best we can
Tonight
Tonight

Let me go for a ride

Let me go for a ride
Track Name: 04 - Insecta
4. INSECTA

Tem sempre algo a mais
Que não cabe
Que empesteia o ar
Dessa cidade
Com gosto de podre , de morte, de pó
E eu te encontrei na escuridão

Eles estão por todo lado
Por entre as frestas , nos buracos
Eles estão em toda parte
E agora é tarde, agora é tarde

Enquanto marimbondos de metal
Perfuram o céu da sua boca
O silêncio dói, inflama
Te deixa oco
Te deixa só
Te deixa só

Insecta, em festa
infecta , infesta

Que ‘ce vai fazer,
Quando um belo dia despertar?
E quem sabe, então, vai perceber
Que vendeu tua alma tão barata?

Que ‘ce vai fazer,
Quando um belo dia despertar?
E quem sabe, então, vai perceber
Que já não te sobrou nada?
Track Name: 05 - Birra
5. BIRRA

Maldita essa mania de pensar em você
Eu até perco o sono esperando te ver
Em cada esquina assombra uma miragem febril
Meu corpo se contorce numa birra infantil
Não tem como escapar
Eu vou pra Bagdá
Pra Cuzco ou Mongaguá
Você tá sempre lá

Vou despachar teu nome
Na curva lá bem longe
Eu vou te espatifar
Da ponte que partiu, tudo

Eu vou lavar meu coração na pia
Eu vou lavar meu coração na pia
Eu vou lavar meu coração na pia

Pra me livrar de vez dessa agonia

Maldita essa mania de pensar em você
Eu até perco o sono esperando te ver
Em cada esquina assombra uma miragem febril
Meu corpo se contorce numa birra infantil
Não tem como escapar
Eu vou pra Bagdá
Pra Cuzco ou Mongaguá
Você tá sempre lá

Vou despachar teu nome
No alto lá bem longe
Vou te petrificar
Na ponte que partiu, tudo

Eu vou lavar meu coração na pia
Eu vou lavar meu coração na pia
Eu vou lavar meu coração na pia

Pra me livrar se vez da sua alegria
Track Name: 06 - Surplus
6. SURPLUS

Eu não quero nada de você
Que não caiba no meu beijo
Ou escape à sua mão
Eu quero você por inteiro
Do teu tédio ao teu tesão

Eu não quero meias verdades
Meias palavras
Meia ilusão
Eu quero você por inteiro
Do teu medo ao teu desejo

Eu não quero um pouco
Eu quero tudo
Eu não quero um pouco
Eu quero tudo

Agora que sei que não passarás de uma fantasmagoria
Mais uma alegoria
Agora que eu te faço criatura minha
Eu te engulo, eu te mastigo, eu te regorgito,
Pra te aprisionar nas minha entranhas

Uma noite mais apenas e quantas mais serão necessárias
Se os telhados imundos ainda esperam que amanheça
Com um pouco de gelo e talvez mais alguns tragos
Talvez, por fim, estaremos curados
Dessa paisagem insana
Que eu não quero pouco,
Eu quero tudo
Eu não quero um pouco,
Eu quero tudo!
Track Name: 07 - Glitch
7. GLITCH

Que dizem teus olhos
Por onde meu mundo se perdeu
Que dizem teus olhos
Agora que já não são meus

Que dizem teus olhos
Por onde meu mundo se perdeu
Que dizem teus olhos
Agora que já não são meus

Me joguei de peito aberto, sem pensar
Me estatelei no seu deserto, fiquei sem ar

Você era minha casa no mundo

Você era minha casa no mundo

Você era minha casa no mundo
Track Name: 08 - Ressaca Moral
8. RESSACA MORAL

Eu acordei, que horas são, que dia é hoje, eu não sei
Quem é você? Isso é ral alguém me diz, talvez, não sei.

Eu tava lá tava lá
Você também tava lá
Foi você quem me chamou
Me chamou pra causar

A noite é uma criança
E eu quero brincar
Eu entrei naquela dança
No meio da sala de estar

Eu tava lá tava lá
Você também tava lá
Foi você quem me chamou
Me chamou pra causar

Ressaca Moral
Você faz a merda
Agora passa mal

Ressaca Moral
Você fez a merda
Depois passa mal

Oi tudo bem?
Como você vai?
Quando você vem
Tanto faz meu bem

Vai vai, vem vem

Oi tudo bem?
O que você quer
Quanto você tem?
Eu também tô bem

Vai vai, vem

Ressaca Moral
Você faz a merda
Agora passa mal

Ressaca Moral
Você fez a merda
Depois passa mal
Track Name: 09 - Gravidade
9. GRAVIDADE

Tô com a cabeça acelerada
Meu corpo vara a multidão
Eu já nem sei onde é minha casa
Teus olhos sempre dizem não

Tem frenesi brotando no asfalto
Bandeiras mortas no salão
Vejo planetas solitários
No horizonte em colisão

Ali te vi
Cobiçando o sol
Se perdendo em seu reflexo no cristal
Se estilhaçar, narciso lunático
Quem vai juntar todos teus cacos num só?

Quem vai ficar até o fim da festa?
Quem vai ficar pra lamber o chão?
Quem vai fingir que isso interessa?
Quem vai queimar as próprias mãos?

O vento vem
Pra me lembrar
Que ainda tem lugar pra correr solto
O vento vem
Pra me lembrar
Que ainda tem lugar pra correr solto

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